Os cientistas por trás dos seus números
Todo cálculo deste site tem autor. Aqui estão os métodos, os autores e os anos em que foram publicados — porque treinar com ciência começa por saber de onde vem a ciência.
Frequência cardíaca e zonas de treino
William F. Haskell, Samuel N. Fox et al.
1971FCmáx = 220 − idade
A fórmula mais famosa da fisiologia do exercício, popularizada pela ACSM — simples, rápida, com margem de ±10–12 bpm.
Hirofumi Tanaka, Kevin D. Monahan, Douglas R. Seals
2001FCmáx = 208 − 0.7 × idade
Meta-análise de 351 estudos publicada na JACC — hoje a estimativa recomendada por sua precisão em todas as idades (±7 bpm).
Martha Gulati et al.
2011FCmáx = 206 − 0.88 × idade (mulheres)
Estudo com teste ergométrico em mulheres (Mayo Clinic Proceedings) — corrige o viés das fórmulas originais em homens.
Oded Inbar et al.
1994FCmáx = 191.5 − 0.007 × idade²
Normas do Astrand Submaximal Cycle Ergometer Test — modelo curvo que considera a queda acelerada após os 60 anos.
Martti J. Karvonen
1957Reserva de FC (Karvonen)
Fisiólogo finlandês: FC de treino = FCrepouso + % × (FCmáx − FCrepouso). Primeiro a usar a FC de repouso para personalizar a intensidade.
Roger R. Laursen & David C. Jenkins
2001Zonas por % da FCmáx / limiares
Revisão “Training for Anaerobic and Aerobic Endurance” — referência clássica para a divisão de intensidades do endurance.
Joe Friel
1990s–hojeLTHR — teste de 30 min e zonas
“The Cyclist's Training Bible” / TrainingPeaks: FC média dos últimos 20 min de um teste all-out ≈ FC no limiar; faixas 0–75 / 76–87 / 88–94 / 95–99 / ≥100%.
Gunnar Borg
1970/1982Escala de esforço percebido (RPE 6–20 / 0–10)
Psicólogo sueco: quantificar a sensação de esforço — a técnica que hoje usamos junto às zonas para treinar sem relógio.
Capacidade aeróbica (VO2Max e VDOT)
Kenneth H. Cooper
1968Teste dos 12 minutos
Médico americano que publicou “Aerobics” e criou o teste de campo de corrida mais usado do mundo: VO2 = (distância − 504,9) ÷ 44,83.
Jack Daniels, Ph.D. & J. Gilbert Daniels
1998Equação da corrida e VDOT
“Daniels' Running Formula”: VO2 = −4,6 + 0,182258·v + 0,000104·v², ajustada pelo %VO2max sustentado no tempo — origem das zonas E/M/T/I/V.
Jerry D. George, Charlie Foster et al.
1991Teste da 1 milha (Rockport/ACSM)
Equação de regressão com tempo, FC, peso, idade e sexo — estimativa de VO2Max sem esforço máximo.
Uth, Sørensen, Overgaard & Pedersen
1994VO2 ≈ 15,3 × (FCmáx ÷ FCrepouso)
Estimativa de VO2Max pela relação entre FC máxima e de repouso (Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports).
Stephen Seiler
2006Treino polarizado 80/20
Pesquisador americano que analisou diários de treino de elite e descreveu a distribuição 80% fácil / 20% intenso como padrão universal do endurance.
Limiares de treinamento
Franco Conconi, Maria Cristina Sassi et al.
1982Teste progressivo de Conconi
Universidade de Ferrara: a deflexão da curva FC × velocidade marca o limiar anaeróbio por método não invasivo em campo.
Alois Mader
1976Concentração de lactato de 4 mmol/L
Fisiologista alemão: referência clássica do limiar de acumulação constante de lactato usada no treino europeu.
Provas, ritmo e previsão de tempos
Peter Riegel
1981T₂ = T₁ × (D₂/D₁)^1,06
“Athletic Records and the Exponent of Endurance” — a fórmula de previsão de tempos mais usada do mundo.
Tim Noakes
2003The Lore of Running
Medicínico sul-africano: compêndio da fisiologia da corrida, incluindo modelos de regulação do esforço (pacing) e gestão da fadiga.
Rodney Morton
1995Estudos de pacing em pista
Demonstrou experimentalmente que ritmos uniformes ou negativos superam ritmos positivos na performance final.
Corpo, peso e periodização
Adolphe Quetelet
1832IMC = kg ÷ m²
Matemático belga: o índice de massa corporal (fórmula de Quetelet), com classificação de adultos pela OMS.
Benjamin A. Devine · D. Robinson · B. A. Miller
1974–1984Fórmulas de peso ideal
Equações estatísticas de peso ideal por altura e sexo — estimativas populacionais, não alvos clínicos.
Leo Matveyev · Tudor Bompa
1960s–1990sPeriodização do treino
Modeladores da periodização moderna: blocos de base, forçamento e pico (taper) — a espinha dorsal de todo planejamento de provas.
Nota de honestidade científica
Fórmulas de campo são estimativas populacionais — úteis para orientar treino, não para diagnóstico. Variáveis como genética, altitude, calor, medicações e treino alteram os resultados. Refaça os testes a cada 8–12 semanas, sempre nas mesmas condições, e confirme mudanças importantes com um profissional de educação física ou médico do esporte.
